domingo, 25 de julho de 2010

Do que é feito um bassman?


Bom, como a maioria esmagadora que acessa esse blog é composta por amigos próximos, grande parte deles sabe que eu toco (enrolando) baixo. Oque me fez pensar nesse post são as 5 perguntas que mais me fazem, em todos os aspectos em relação a o instrumento. Confesso que, ja que toco a muito pouco tempo (pouco mais de 3 anos), vou me esforçar ao máximo pra explicar corretamente alguns pontos.



1. Qual o papel fundamental do baixista numa banda?


O baixista (tocando um contrabaixo elétrico ou acústico), tem a função de ser o elo de ligação (sic) entre a guitarra e bateria. O instrumento se utiliza dos graves, e agudos, para dar um 'peso' a música. Para ser aquilo que geralmente falta nela.


2. Ah, mas porque o baixista 'X' não apenas acompanha a(o) (inserir nome de instrumento), e faz do baixo praticamente um instrumento solo?

Bom, o baixo é um instrumento bastante versátil. Ás vezes, nos deparamos com estilos musicais (e estilo dos próprios baixistas!) que são apenas de fazer um acompanhamento da guitarra, usando as tônicas dos acordes, ou fazendo a chamada 'cozinha' com a bateria. A questão é que, com o tempo, o baixo vem deixando apenas de ser um instrumento base para se tornar quase que um solista mesmo, vide Les Claypool no Primus ou Flea no Red Hot Chili Peppers. Esses baixos mais destacados se devem a muitos motivos, como timbragens singulares, efeitos, usar-se outras notas do acorde, passagens, cromatismo e etc.

3. O que é um groove?

Se eu estivesse sem tempo pra explicar oque é um groove, eu apenas mostraria esse video: http://tinyurl.com/2f33k43. Um groove é uma coisa meio funky, meio soul, que vem, principalmente, da mescla de baixo e bateria. É aquela sensação engraçada que te faz acompanhar a musica com a cabeça.

4. Um baixista pode usar efeitos?

Bom, na minha humilde opinião, pode sim. Deve, pra falar a verdade. È verdade que eu conheço baixistas que não gostam de efeitos, que são os verdadeiros 'Plug and Play', ou seja, ligar o baixo no amplificador e fim de conversa. Já conheço outros, que gostam de efeitos de modulação, e outros que preferem mudar a timbragem dos instrumentos. Ja vi uns até parecem verdadeiros guitarristas, indo tocar com mais pedais/fontes/pedaleiras que o próprio guitarrista!
A verdade é, que não há consentimento universal em relação a isso, vai do gosto de cada um. Tenho dois pedais, um Bass Overdrive da Groovin' e um Compressor Sustainer (eu acho, esqueci o nome do dito cujo) CS-3 da Boss, e estou bastante satisfeito com eles. Com vaga pra mais um, até.

5. É melhor tocar com palheta ou com os dedos?

Essa é a famigerada, hahaha.
Bom, como quase em tudo na música, não há tambem um consenso universal em relação a isso.
Na verdade, o pizzicato (técnica em que usam os dedos) foi criado por um rapaz, que infelizmente não lembro o nome, que tocava um contrabaixo acústico 'upright' (o famoso 'grandão) com um arco. Sendo que, durante uma performance, seu arco quebrou! A partir disso, ele teve que usar de toda uma malemolência para tocar o resto das músicas com o dedo. E ai estava criado o pizzicato.
Já a palheta é um artifício trazido por guitarristas que passaram a tocar baixo elétrico (que é um instrumento absurdamente novo, com pouco mais de 50 anos), coisa que facilitava o trabalho deles.
Mas, nos dias de hoje, a variação entre essas duas técnicas se deve pela intenção do intéprete ou pelo estilo que ele está tocando, apesar de eu, particularmente, achar a palheta um pouco mais limitada.
A vantagem principal de se tocar com a palheta é, em minha opinião, a velocidade que o músico ganha ao se tocar as frases. Por isso ela é usada principalmente no rock, no punk, metal e etc.
O ponto negativo dela, é de uma certa limitação tanto sonora, quanto física para se tocar algumas coisas. Eu posso tocar punk utilizando meus dedos, que ainda sim fica soando legal, mas dificilmente ficaria bom tocar funk, ou reggae, com uma palheta, já que vai ficar um som muito estalado e peculiar, enfeiando a música.
Já o pizzicato é uma técnica mais difícil, mais versátil e abundantemente utilizada pelos baixistas hoje em dia. Usando-se os dedos, o músico 'sente' mais as cordas, tem uma facilidade maior para pular cordas e pode mudar mais facilmente para outras técnicas, como Slap ou Tapping.
A única desvantagem que eu observo é a de uma dificuldade um pouco maior de se obter velocidade (coisa que se consegue com treino), e os cruéis calos formados nos dedos, hahaha.

BONUS:

6. O que é o Slap, e porque ele (na maioria das vezes) soa tão bem?

O Slap é uma técnica considerada exclusiva do contrabaixo, já que ela foi criada nele mesmo, e por acaso!
A história de sua criação é um pouco controversa, já que não se sabe ao certo quem inventou. Diz-se que num dia de ensaio, o baterista de uma banda 'x' faltou, e o baixista, para tentar compensar essa falta, começou a bater nas cordas com o polegar e puxá-las, de forma percussiva. Estava criado o Slap. Mas, se não foi o curioso Larry Graham que o inventou, com certeza ele foi quem primeiro popularizou a técnica, que realmente chama a atenção do ouvinte quando é escutada.
O Slap é usado, em grande parte, no funk e no soul. Mas, com o passar do anos, simplesmente TODOS os estilos que você ouve hoje em dia, pode-se achar Slap. Nem que seja em um compasso só. Essa diversidade musical em que ele é empregado se deve basicamente a Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers. O australiando (radicado nos Estados Unidos), utiliza a técnica de forma vigorosa e sensata em todos os álbuns da banda, se tornando o grande precussor moderno da técnica. A ele, se devem tambem os maiores estudos entorno do Slap, na criação de linhas. Sem contar na grande influência para os baixistas do mundo todo. O Slap é uma técnica difícil e que, quando aprendida de verdade, trás uma expansão enorme para o universo musical do intéprete, porém, essa técnica tem uma peculiaridade, é igual a alguma cachaça ruim: é bom pensar 3 vezes antes de usar!

Bom, era só isso mesmo! Se eu tiver a oportunidade de ouvir mais dúvidas (que eu possa ajudar em algo, claro) ou sugestões, certamente farei outro tópico desse. Boa noite!

2 comentários:

  1. Bem comentada a questão técnica, Berna. Não sei se tu assistiu a uma reportagem aí, mas Flea apareceu "dando aulas" de como se faz o tap de maneira correta, tá bem parecido com o teu texto

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  2. OUTRA COISA EM RELAÇÃO AO USO DA PALHETA, COM CERTEZA É ISSO MESMO, PORÉM, ALGUNS USAM PALHETA POR CAUSA DO TIMBRE ESTALADO QUE ELA PROPORCIONA, POR EXEMPLO, O CHRIS SQUIRE DO YES QUE DIGA-SE DE PASSAGEM, É UM EXÍMIO BAIXISTA.
    MAS EU PREFIRO USAR OS DEDOS MESMO. ULTIMAMENTE TENHO USADO BASTANTE O POLEGAR E OS OUTROS DEDOS COMO DE ESTIVESSE DEDILHANDO AS CORDAS, O QUE DEPENDENDO DA FORMA COMO TOCO OU DA MÚSICA, SUBSTITUI EM PARTES O SLAP.
    TAMBÉM TENHO TOCADO COM AS COSTA DA MÃO COMO SE TOCASSE VIOLÃO, DÁ UMA SONORIDADE BACANA.

    ISMAEL
    ismabass@yahoo.com.br

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