quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Underground recifense


Pros que pensam que a cena punk já não mais existe, aqui vai: não só existe como também está ativa social e ideologicamente.
O punk não surgiu por acaso. Tanto nos Usa, como na Inglaterra, o movimento foi criado, antes de mais nada, com o intuito de difundir uma ideologia, sendo a música; as vestimentas e o comportamentos suas formas de expressão. Muito da cultura punk bebeu do niilismo e das vanguardas pós-guerra, onde o descontentamento e descrença no ser humano imperavam. O próprio câmbio no conceito de arte daquela época, através (principalmente) do dadaísmo, permitiu uma liberdade maior à criatividade.
O fato é que, estando numa época tão agitada tal qual o pós-guerra, nada mais óbvio de acontecer do que o nascimento de uma cena sócio/musical, fruto do casamento entre a revolução das aparências externas e internas com um som sujo e pesado, repleto de letras que mais parecem manifestos políticos.
Em Recife, atualmente a cena underground conserva suas resistências. Bandas punk conhecidas como Devotos e Subversivos ainda estão na ativa, esta última carregando um simbólico som Oi!
O “Oi!” se difere das demais “vieses” por ser realizado por skinheads. Os skinheads a que me refiro não são aqueles adeptos do neo-nazismo, cujo estereótipo é um fanático racista. Não, não, o skinhead que falo é bem outro.
Esses caras são muito mais adeptos do anarquismo do que outra ideologia qualquer, pois pregam bastante o livre-arbítreo e a negação da propriedade privada.
Pois bem. Fomos recentemente a um show que reuniu três bandas de diferentes momentos punk, que foram: Love Toys, Rabujos e Subversivos. O primeiro som, Love Toys, tinha uma pegada fortemente pop, com direito à distorção pseudo-emo nos solos e backing vocal em quase todos os refrões. O que tornou essa banda tão “cute” foi o fato de que é um som limpo, extremamente flexível se comparado à segunda.
Os Rabujos fazem jus ao nome. Creio que nunca presenciei tamanha disparidade entre duas bandas subseqüentes, porque diferentemente dos Love Toys, Rabujos tem uma proposta de chocar, de produzir um som imundo e extremamente trash. A própria visão dos integrantes dá medo a alguns, porém, creio que seja exatamente isso o que deseja o grupo.
Por fim, vimos o show dos Subversivos. Dá para perceber, apenas olhando para o vocalista, que a banda é uma resistência ideológica. Produzindo um som pesado, (porém menos pesado que o trash) os Subversivos estão no palco muito mais pela necessidade de protesto do que pelo simples desejo de tocar. Percebe-se que o foco do grupo não é a melodia, (apesar de esta deter uma incrível importância no som) mas sim o vocal, onde se realizam verdadeiros discursos contra a sociedade pós-moderna, as mídias-marrons e uma ojeriza cuspida no sistema.
Um dos defeitos mais graves perceptíveis nessas duas últimas bandas, foi o fato de que o público nada (ou quase nada) entendeu das letras, pois além da acústica do local não ser muito favorável, o nível gutural da voz beirava o ininteligível. Acontece que, se há uma preocupação tão grande no sentido de conscientizar, de que forma eles podem fazê-lo se é difícil de entendê-los até mesmo em cd’s?

*P.S.: depois de uma gravadora, até Felipe S vira cantor.

Um comentário:

  1. porra velho subversivos é massa
    eu já fui num show dos caras
    se garantem

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